quarta-feira, 20 de junho de 2012

Estado das Coisas, o erro bom e o erro mau
12 Abril 2012
Por: Rui Rangel, Juiz Desembargador

Vítor Gaspar, o contabilista--mor do regime, aquele que transmite a
ideia que nunca erra e
que raramente tem dúvidas, disse, no seu tom soletrado, que errou sobre a previsão do corte
no subsídio de Natal e de Férias dos portugueses. Passo a explicar.
Todo o Governo afirmou em peso que os cortes eram temporários e vigoravam apenas em
2012 e 2013.
O nosso ministro veio dizer que se enganou, que teve um lapsus linguae, que os cortes vão
até ao ano de 2015, o ano, como disse, "imediatamente consecutivo a 2014".
Tem piada, o ano de 2015, imediatamente consecutivo a 2014.
O País não é uma escola e os portugueses não são alunos de Vítor Gaspar.
O humor negro é dispensável quando se fala de problemas sociais, de miséria, de pobreza
escondida e de falta de dinheiro para o sustento digno das famílias.
Soletra as palavras, fazendo lembrar alguém de outros tempos negros da
história de Portugal, como soletra a vida dos portugueses.

O erro de Gaspar é um erro mau que mexe com o orçamento das famílias, deixando suspensas
as suas vidas.
O erro bom é aquele que não tem consequências nem reflexos sociais, que não é ofensivo da dignidade do ser humano.
O erro mau de Gaspar é indigno, amachuca e amarrota a dignidade dos portugueses. Magoa
falar assim da vida das pessoas. Todos nós podemos errar. Mas errar com esta simplicidade
e com esta justificação, com um sorriso nos lábios, é que não.
O confisco por mais tempo, que deixa suspenso, de forma ilegal e inconstitucional, direitos adquiridos, por causa de um lapso, não é aceitável.
O erro é mau e intencional, tendo Gaspar agido com consciência da ilicitude, logo, passível de responsabilidade. Não é um erro desculpável, que exclua a culpa.
O erro é o reflexo da incompetência, sendo intencional, é mais grave, porque é injusto e
transforma a vida das pessoas num circo. Será que o erro foi intencional porque não havia
coragem política para justificar, no momento, um corte tão prolongado?
Então, passamos a estar no território da mentira e não do erro. A ser assim foi a forma que
encontrou para preparar o elo mais fraco da cadeia, os trabalhadores, para a brutalidade do
corte, transformando-o em definitivo.
Três anos de massacre social e de indigência é demais.
Dizia, assim, Frederico II, o Grande, Rei da Prússia: "A trapaça, a má-fé e a duplicidade são, infelizmente, o carácter predominante da maioria dos homens que governam as nações".
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rui Rangel
 
José Campos
 
 
 

1 comentário:

  1. Bem que dizer? O que já sabemos todos é que vamos (ou melhor já estamos) a ser lixados com um F...grande por estes senhores que arruinam o país há muitos e muitos anos e que vão continuar a fazê-lo e quem sofre sempre é aquele amigo que Rafael Bordalo Pinheiro tão bem transformou em imagem que todos conhecem. Nem o manguito que ele faz vale de nada, pois mentir, ser incompetente e mesmo roubar já é normal e permitido neste país há muitos e muitos anos. De nada vale pessoas de bem aertarem para estes "problemas" pois nenhum deles vai parar à cadeia ou é resonsabilizado pela má gestão que fazem da "coisa publica". Paciência.

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