quarta-feira, 15 de maio de 2024


ASSIM, NÃO...

A continuar assim, muita gente vai deixar de ir ver o rali ao vivo e, eu sou, desde já, um deles. Não se pense que, ao lerem (se alguém ler) este meu comentário, que eu sou a favor da "liberdade plena", em cada PEC dos espetadores, criando situações perigosas, como aconteceu em anos já mais recuados em que, só por milagre, é que não aconteceram mais acidentes graves, como o de Sintra e outros, por esse mundo fora.Não, sou a favor da segurança, minha e de todos os que vão para ver um evento que, pela sua natureza, é perigoso, ou potencialmente perigoso. Agora, fazer, em nome da segurança, o que está a ser feito, isso não. Neste último sábado desloquei-me a Montim, onde já vi o rally de Portugal mais de vinte vezes, desde o tempo da famosa trilogia Montim-Lameirinha-Luílhas e, felizmente, nunca fui observador de algo de anormal, nem de qualquer acidente grave, tirando um ou outro embate contra as bermas, não passando de chapa amolgada e vidros partidos. Chegado ao local, bem cedo, 2,5 horas antes da passagem do primeiro carro de competição, sou "guiado" pelos agentes da GNR para um espaço (as chamadas ZE-Zonas Espetáculo). Até aqui nada a objetar, embora, logo à partida, a minha liberdade em me deslocar pelo monte (direito meu) tenha sido posta em causa. A estrada é dos carros, mas o monte é nosso, de todos e livre para ser palmilhado, para cá e para lá, sempre afastado do perigo. 

Depois, as pessoas são tratadas como ovelhinhas, ao serem encaminhadas para o seu redil (aquele espaço circundado por uma rede de arame e plástico), o que também não nos agrada, pois põe em causa, mais uma vez a liberdade de andar pelo monte (também uma das razões que ali me levam, não é só pelos carros). Por último e, a meu ver, a mais grave. O espaço dedicado às ovelhinhas é demasiado pequeno e, como são encaminhadas para lá, mais pessoas do que o habitual, acabamos por estar uns cima dos outros, com fraca ou mesmo nula visibilidade para a estrada onde passam os carros. A maior parte das pessoas não consegue ver, em condições, a passagem dos concorrentes. Eu, por exemplo, coloquei-me, em segunda fila (junto à vedação já não havia lugar), atrás de uns jovens, sentados em cima das lancheiras e alguns em cadeiras. Fiquei por ali, pois pareceu-me um bom lugar, pois via bem a pista. Puro engano. Quando os concorrentes começaram a passar, os jovens levantaram-se entusiasmados e, lá se foi a minha visibilidade. Assim não vale a pena a deslocação. Outra situação, que se pode tornar mais grave do que se possa pensar é que, se houver, por acaso, um acidente por ali, a probabilidade de ser mais grave é grande, pois a concentração de pessoas junto à pista é bem maior e mais densa naquele local. Por isso há que rever todo este plano apertado de segurança e considerar, sem deixar o modelo dos redis, abrir mais alguns por ali (não falta espaço) de forma a que as ovelhinhas se possam espalhar mais um pouco e estarem mais à vontade a ver a prova.

    E DEPOIS O MACACO SOU EU











José Campos
@2024.05.15

ESTÁ BONITO, ESTÁ! Qualquer dia, as mulheres portuguesas , vão ter de telefonar para o SNS (se ainda existir) para saberem se podem engravid...